Todos
os dias, passo pelos mesmos lugares, vejo as mesmas pessoas, esbarro sempre com
os mesmos trabalhadores. Eu e mais um milhão e 200 pessoas.
Ah!
Se a Matriz conseguisse contar tudo o que viu desde sua criação em 1560. Quanta
história, quantas pessoas que passam, deixam suas marcas e seguem seus
caminhos. A Catedral Nossa Senhora da Conceição reflete a população de
Guarulhos, que foi crescendo em torno dela.
Caminhando
pelo Centro, é notável que uma comparação seja feita. Em meio a lojas, ao
consumo excessivo do capitalismo, uma riqueza de histórias se passam
despercebidas. O senhor Gilberto Rosa tem 59 anos, é gari e vive na cidade
desde que nasceu. Quando percebe minha presença fica um pouco incomodado, no
começo meio tímido, mas logo se solta ao falar de sua história na cidade. “Vim
pra cá desde que nasci, casei, me criei, casei de novo, tive meus filhos,
trabalhei aqui e é aqui que serei enterrado. Limpo muito mais do que o lixo do
chão”. E o senhor Gilberto tem razão, ele limpa histórias!
Dona
Maria de Fátima é catadora de lixo, tem 73 anos e veio para Guarulhos por amor.
Sim, ela se apaixonou quando tinha 17 anos por um moço bonito de 23 e os dois
aumentaram a população guarulhense. Ao todo, foram 13 filhos, sendo que quatro
deles já se foram, como ela diz.
-
Dona Maria, a senhora já viveu muita coisa aqui. O que mais chama a sua
atenção? – pergunto curiosa
- Ah
minha filha, esse jovens que chama minha atenção. Não é saúde beber dessa
maneira, inda mais do lado da casa dele. – Refere-se à Igreja Matriz e à Deus.
E
dona Maria tem razão. Todos os dias os bares ao redor da Universidade e da
Matriz lotam com estudantes.
Letícia
Miranda tem 26 anos, é estudante de administração e quando me vê aproximando,
tenta me convencer a beber com ela.
- Eu
trabalho o dia todo, nem tenho tempo de comer direito. Tenho uma filha de nove
anos que cuido sozinha desde que nasceu. Eu não sou alcoólatra, só uma fã de
cerveja - brinca.
-
Mas você alguma vez procurou saber da história aos redores de onde se diverte?
– Me interesso em saber.
- É
claro que não! Nem sei direito como contar minha própria história. Mas de uma
coisa tenho certeza, conheço bem as lojas aos redores daqui.
E,
Letícia tem razão. O centro movimentado de Guarulhos é rico em comércio
lojístico. É impossível andar por aqui e não perceber uma loja atrás da outra.
A
riqueza das lojas de departamento e a humildade dos camelôs, o luxo dos sapatos
nas vitrines e o chinelo surrado dos moradores de rua. A cerveja e o chopp nos
barzinhos e o copo de cachaça ao lado dos sem-teto. Os carros que passam e
estacionam e os pés descalços que pisam. A riqueza da arquitetura da Igreja e a
pixação nos muros da Universidade. A história e o descaso com ela.
Em uma breve
observação, já pude constatar a globalização mantendo Guarulhos como um bom e
competente aprendiz das boas maneiras!
2 comentários:
Parabéns!Desconhecia seu lado de escritora.
nossa
q maravilha
e faz tempo q vc nao escreve aqui
beijo
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