quinta-feira, 11 de março de 2010

Pena pra quê?

Existem coisas que eu não admito, coisas que não gosto, que me deixam com pena, mal-humorada, irritada, coisas que fazem parte do dia-a-dia das pessoas, mas muitas vezes passam despercebidas, porque como eu disse, já faz parte...

Estava eu, pensando na vida e ouvi uma conversa que me deixou com vontade de gritar, mas como eu estava no ônibus, não fiz. Está certo que estamos descontentes com a política no Brasil, que há muita corrupção, mas tem coisas que não são culpa deles. Vou deixar claro, não estou aqui para defender partido nenhum, também não gosto de ficar discutindo sobre política, cada um sempre tem sua opinião formada e discutir não muda em nada a vida dos nossos representantes no congresso. Mas, o diálogo que me deixou intrigada foi o seguinte... Uma mulher, segundo a senhora de cabelos grisalhos que conversava com o senhor na mesma situação dos cabelos, estava passando necessidades, morando em um lugar que não tinha saneamento básico, tinha cinco filhos, CINCO e estava grávida de seis meses de uma menina. Essa mulher tinha 29 anos e sua filha mais velha, de 14 anos, estava grávida de oito meses. Sete pessoas já estavam morando juntas e mais dois novos moradores iriam chegar numa pequena casa de um quarto só, com uma cozinha estreita, banheiro e sala. Segundo a senhora, a matéria com essa “pobre” moça estava criticando a falta de saneamento básico das comunidades carentes do Rio de Janeiro e, por esse motivo, o risco que crianças e adultos acabam correndo todos os dias.

Isso é real? Claro! Não estou colocando em discussão o fato. Estou tentando entender como uma mulher pode ter tantos filhos, está quase sendo avó e ainda querer reclamar de alguma coisa. Essa situação, ela mesma que se colocou. Se pensasse um pouco, refletisse sobre as condições em que vive, poderia quem sabe até morar em outro lugar. Mas o dinheiro falta até para comida. Desculpem a franqueza, mas dessa mulher eu não tenho pena... Tenho pena de seus filhos, crianças que acabam sofrendo por inconsequências de seus pais, acabam tendo que viver uma vida de sacrifícios. Logo começarão a trabalhar, não terão estudo, ganharão pouco e, em breve, estarão no mundo do crime, achando que compensa e vendo nela a única solução!

Os políticos estão errados? Claro, pois com todo o dinheiro arrecadado pelos impostos mensalmente deveria dar assistências melhores a quem precisa. Mas é impossível ajudar algumas pessoas que não pensam na hora de fazer filho. Acaba sobrando pra quem? Para a classe média, que trabalha dobrado para pagar todos aqueles impostos, ainda ter que pagar plano de saúde, escola e se bobear, ainda ser assaltado saindo do trabalho por alguém que nasceu sem oportunidade nenhuma, pelo viciado em droga, pelo moleque que muitas vezes tira a vida de inocentes. Porque os impostos são insuficientes para a escolaridade, segurança e saúde.

Eu não tenho pena de quem faz filho e não tem como sustentar, tenho pena do futuro dessas crianças. Tenho admiração por todos aqueles que trabalham, ganham honestamente seus salários, pagam suas contas e ainda sobre uma pequena quantia para levar o filho ao cinema. Fico indignada quando o dinheiro público é colocado na “cueca” dos nossos respeitáveis governantes. Sinto pena dos estudantes que “dão duro” em seus cursos, que convivem com o medo diariamente e que são assaltados, isso quando não morrem com bala perdida... Tenho dó dos pais desses jovens, que sofrem todos os dias com a perda e com a injustiça, já que menor de idade não pode ser preso, mas pode matar!

Há coisas que não podemos sentir pena, devemos sentir vergonha. Há momentos que não devemos aplaudir, mas abaixar a cabeça... Tem gente que não pensa no futuro e sobrecarrega outras pessoas. Desde quando esse indivíduo precisa de compaixão?