O mundo é feito de sentidos, de respostas, de questões. O ser humano é movido a partir de sentido, de escolhas, de tentações e emoções.
Nos vimos pelos olhos de quem nos ama, olhos que trazem respeito, olhos que trazem chama. Nos vimos pelos olhos admirados dos pais, olhos que trazem orgulho, pálpebras que não se fecham, que nos protegem, que nos dão porto-seguro, que nos abriga no cais. Somos vistos por um milhão de pessoas nas redes sociais e julgados pelo que escrevemos, pelas fotos que postamos, por nossos instintos de mostrar quem somos e ah! Como nos mostramos sarcasticamente racionais! Entregamo-nos ao reflexo do espelho e nós mesmos nos vemos perdidos, sem saber por aonde ir, sem saber o que escolher. Nos vemos às vezes sombrios, às vezes cheios de certeza, mas sempre com ânsia de viver. E nos olhos do mundo somos mais um, que querem fazer a diferença como tantos outros, mas que jogam lixo no chão. Nos olhos Dele, somos amados, somos cuidados, sempre merecemos perdão!
No acolher, dentro do nosso tato somos encurralados, nos mostramos fortes, mas por dentro precisamos ser tocados. Precisamos da pele e de nos arrepiar, precisamos do braço forte, das mãos macias, precisamos de um descanso, do toque de quem ama e no fundo, o que importa mesmo é conseguir amar. Tememos nos mostrar fracos, quando nossa capacidade de força está em quem nos apegar. Tememos ser baixos, quando o que mais fazemos no mundo é trapacear. Tocar e acariciar não são sinais de fraqueza ou humilhação. Nossa pele precisa de carinho e nossa alma precisa que nossa mão esteja em constante movimento, esteja tocando, sentindo e aprendendo. Precisamos de atenção!
E sabe, sinceramente, ficamos confusos nesse mundo de informação. Tudo vem, tudo chega, não sabemos o que é ruim, o que é bom. Às vezes ouvimos besteiras, ouvimos mentiras, ouvimos de perto a traição. Mas também nossa audição apurada consegue de longe escutar um elogio, uma crítica construtiva, uma palavra de carinho, de compreensão. Ouvimos sussurros, carros, ouvimos o que nem deveríamos ouvir. Ouvimos as palavras mais doces, as mais azedas, ouvimos as gargalhadas que nos fazem sorrir. E é tão bom de escutar quando alguém que a gente ama diz um ‘eu te amo’ também. E quando ouvimos coisas que nos arrepiam, no pé do ouvido, que faz cócegas na nossa emoção? Ai que delícia de ouvir ofegante aquela respiração!
Agora, quem nunca sentiu de longe o cheirinho delicioso de uma fábrica ou loja de chocolates? Daqueles que adocicam a vida, que nos fazem entrar e ficar com água na boca de prazer. Os odores espalhados por aí que sentimos o tempo todo nos provam como somos movidos por constantes sentidos, sentidos de cheirar, ambição de querer. Os perfumes que ficam dentro das nossas mentes, aqueles que quando chegam perto já sabemos de quem é. O cheiro doce de uma noite quente, o cheiro de prazer entre um homem e uma mulher. E o olfato às vezes nos engana, sentimos um cheiro tão gostoso e na hora de provar, sempre nos decepciona. Não sei se vocês já passaram por isso, mas nunca te deu vontade de degustar um cheiro? E na hora que está prestes a matar sua necessidade, parecia mais como um veneno, mentiroso infame que nos engana e nos deixa na vontade! Queria só comer aquele cheiro, mas não consegui degustar aquilo de verdade. O cheiro inesquecível de milho, cheiro da comida da mamãe sendo preparada, cheiro de páscoa, de natal, de ano novo, de panetone, de champagne. O cheiro da infância, da terra, dos machucados que doíam, das rotinas estressantes. Cheiro das flores, da poluição ou o cheiro da praia e do mar. São as fragrâncias que nos tiram o medo, que nos movem, que nos deixam livres para voar! Odores inesquecíveis na memória, odores que enriquecem nossa experiência, nossa história!
E agora, podemos falar de pecado e que tal a gula, esse pecado gostoso? Esse paladar fajuto que só escolhe comer o que vai para os piores lugares do nosso corpo, lugares proibidos que nos fazem engordar! Comemos tudo o que vemos e de repente, a fome se torna mais que um vício e chocolates e massas fazem parte do nosso dia-a-dia, tudo para o nosso estômago se alegrar! Sentimos o gosto do silêncio, que preciso admitir, às vezes vem em boa hora, às vezes é meio amargo. Sem contar que o gosto por si só nos diz muita coisa. Sentir o gosto do amor, sentir o gosto do nosso companheiro é extremamente prazeroso e como uma droga, nos deixa atordoados. Que paladar atrevido o nosso que se zanga com o azedo, se derrete em doce e adora um salgadinho.
E não adianta falar de sentido se não comentar um pouco de percepção, do sexto sentido, que faz todo sentido pra mim. O maior exemplo do sexto sentido é o de mãe, do coração. Quando mãe fala, não adianta não! “Leva casaco, vai esfriar”. Experimente não levar. E do nada, começa a nevar. “Não brinca aí, vai se machucar”. E três segundos depois, a criança já sai correndo, envergonhada e quando olha para a mãe, não aguenta e começa a chorar! A percepção é como prever o futuro, sem prever propriamente dito. Você sente, você percebe, você não se esquece do que está sentindo, às vezes é uma boa premonição. Às vezes você até se assusta quando sente o que está por vir. Mas isso ajuda ao pobre coração, porque percepção é a prova que nossos aguçados sentidos estão mais ariçados, pois são eles que nos conseguem nos fazer sentir!