quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ser Jornalista...

Estava pensando um pouco sobre mim hoje. Não que eu seja uma pessoa egoísta, mas acredito que de vez em quando temos que pensar um pouco em nós mesmos, faz bem. Regular os pensamentos, ver pelo que vale a pena lutar, entender mais ou menos onde queremos chegar e por aí vai...
Mas o que eu estava pensando hoje diz respeito ao meu futuro profissional como jornalista. Está claro que desejo seguir essa profissão, não há dúvidas sobre isso, já que todas as que eu tinha, foram extintas com as aulas na faculdade e os professores maravilhosos que ando me relacionando. Pois bem, mesmo assim decidi refletir um pouco até onde vale a pena agradar. É, agradar. Quando resolvi cursar jornalismo, entrei na faculdade com um pensamento que iria criticar, me opor ao errado, mostrar a realidade através das minhas palavras e denunciar. Qualquer tipo de violência...Contra homens, mulheres, crianças, animais, contra a natureza! Enfim, querer fazer alguma diferença...Mas em cada aula, cada momento e experiência que eu vivo, mais eu descubro como eu sonho! Como eu idealizo uma profissão que cada vez mais perde autonomia e busca fazer de cada notícia nada mais que uma comercialização, um discurso barato de mercadoria, sem intenção nenhuma de informar...
Uma vez assisti uma palestra com uma jornalista formada (não é pleonasmo, já que agora qualquer um pode ser jornalista, que crédito alguém que faz uma faculdade de quatro anos tem depois disso? Vai saber!) dizendo como era seu dia-a-dia na redação de um importante veículo impresso, passou algumas de suas histórias, contou um pouco sobre sua experiência e a cada segundo que ela palestrava, enfatizava o que o jornal queria, o que era importante, como ela ganharia o leitor, como ela faria o público se emocionar, se encantar, persuadir e consequentemente fazê-lo comprar o jornal...Descobri, que não é apenas escrever e informar. É acima de tudo fazer alguém comprar. Dinheiro mais uma vez está sobrepondo uma perspectiva onde não deveria de forma alguma lucrar em cima de acontecimentos.
É alegria para um jornalista uma catástrofe, assim ele vai ter o que cobrir...É irritante para um jornalista um acontecimento importante no final do expediente, pois ele terá que deixar o lar de fora, para informar.
Voltando à palestra, a jornalista ainda disse que devemos ser frios. Porque iremos encontrar pessoas desabrigadas, com fome, sofrendo maus tratos, mas mesmo assim vamos entrevistá-la e tirar ao máximo cada palavra que choque! Devemos interagir falsamente, não podemos nos emocionar, senão faremos parte da matéria, da história, iremos perder o foco...
Até onde devemos então ser frios? Aliás, essas pessoas são pessoas como nós. Vale a pena destruir? Enganar? Prejudicar? Sim, descobri que no final, acaba valendo. Os leitores vão comprar, a empresa lucra e você, jornalista que tinha o sonho de não ser só mais um, ganha pontos com o chefe, recebe seu salário no final do mês e por fim, vira só mais um mesmo...

3 comentários:

Paulo Victor disse...

Texto interessante Evelyn.
A verdade eh q o jornalismo realmente pede isso: "Frieza"

Em minha va opiniao, acho a profissao de jornalista para materias do tipo "chocantes" nao encaixariam no meu perfil. Pois acho q a coisa mais PRECIOSA que o homem podem ter eh sua capacidade de SER HUMANO, de lamentar, de estender a mao, de fazer o bem...

Entao nao gostaria q nada me tirasse isso.


Recado dado...
Parabens pelo blog
JP

Karol Granchi disse...

Bem vinda ao mundo real!Depois de um tempo, você acaba percebendo que seus colegas de trabalho não passam de simples operários, mecânicos e medíocres...
se quiser ser diferente, faça a diferença, ninguém vai fazer por você.

E. Andrade disse...

muito bom o texto, porém achei um pouco equivocado. acredito que a profissao tem como sua principal diferença de um mero escritor, ser um contador de estorias reais, e para isso voce acaba tendo que ter certa frieza, senao seu trabalho nao sera feito.
e em relaçao ao modo de escrever o texto, qualquer contador de estorias quer ser ouvido, quer que prestem atençao e para isso necessitao que tenha um diferencial em seu texto (seja emocional, estrutural, tragico, seja o que seja).
porem essa e so minha opiniao.
mais uma vez parabenz, o texto está realmente muito bom.